Estas atividades têm como base o material do módulo. Resolva cada questão individualmente, com base apenas no que você estudou. Escreva suas respostas de forma dissertativa, justificando cada raciocínio com os conceitos apresentados no material.


Atividade 1

Os mecanismos neurocientíficos da analgesia por realidade virtual

Durante uma visita ao serviço de queimados de um hospital escola, você acompanha uma troca de curativo em um paciente adulto com queimaduras de segundo grau em 25% da superfície corporal. Mesmo com analgesia farmacológica adequada — opioide em dose ajustada e anti-inflamatório não esteroidal —, o paciente relata dor intensa (8/10 na escala numérica) e apresenta sinais claros de sofrimento durante o procedimento. A enfermeira responsável menciona que outros serviços têm utilizado headsets de realidade virtual durante trocas de curativo com resultados promissores.

Parte A. Com base nos três mecanismos neurocientíficos da analgesia induzida por realidade virtual apresentados no material do módulo, explique como cada um deles poderia estar operando durante a troca de curativo desse paciente se um headset de RV fosse utilizado. Para cada mecanismo, descreva em pelo menos um parágrafo o processo fisiológico envolvido e de que forma ele contribuiria para a redução da dor percebida pelo paciente.

Parte B. O material do módulo afirma que “não basta simplesmente colocar um HMD num paciente e ligar qualquer conteúdo” — o design do conteúdo determina quais mecanismos são ativados e a magnitude do efeito. Com base nessa afirmação, explique por que um jogo simples de baixa interatividade projetado em tela convencional (não em HMD) provavelmente produziria um efeito analgésico menor do que um ambiente imersivo interativo exibido em headset. Relacione sua resposta ao conceito de presença e ao mecanismo de modulação atencional.

O que se espera de você: Uma explicação clara de cada mecanismo, conectando o processo neurobiológico ao contexto clínico descrito. Evite respostas genéricas — demonstre que você compreende a diferença funcional entre os três mecanismos e por que a qualidade e o tipo de conteúdo importam para o resultado terapêutico.


Atividade 2

Regulação de SaMDs no Brasil: classificando uma startup de TERV

Um grupo de estudantes do seu semestre, trabalhando no projeto de startup da disciplina, está desenvolvendo um sistema de terapia de exposição por realidade virtual (TERV) voltado ao tratamento de fobia de agulhas e procedimentos médicos em pacientes adultos. O produto consiste em um software que, instalado em um headset de RV comercial, expõe gradualmente o paciente a cenários virtuais de consultório médico com procedimentos progressivamente mais invasivos. O tratamento é conduzido por um psicólogo presencialmente, que ajusta a intensidade dos estímulos em tempo real por meio de um painel de controle.

A equipe da startup quer compreender, antes de avançar no desenvolvimento, qual será o caminho regulatório do produto no Brasil e que tipo de evidências clínicas serão necessárias para que hospitais e clínicas considerem adotar a solução.

Parte A. Com base no framework de classificação de SaMDs da ANVISA apresentado no material do módulo, determine a classe de risco esperada para esse sistema. Justifique sua classificação considerando os dois fatores que o framework leva em conta: o estado clínico do paciente e o impacto do software na decisão clínica. Considere também se a presença do psicólogo mediando o uso altera ou não a classificação e por quê.

Parte B. Suponha que o produto seja classificado na classe de risco identificada por você na Parte A. Descreva, com base no que o material do módulo apresenta sobre o processo de registro sanitário de SaMDs, que tipo de evidências clínicas seria necessário reunir para que o produto pudesse ser aprovado pela ANVISA e, posteriormente, para que profissionais de saúde considerassem a adoção clínica sustentada. Diferencie o que é necessário para fins regulatórios daquilo que é necessário para fins de adoção clínica — esses dois conjuntos de evidências podem não ser idênticos.

Atenção: A classificação regulatória e o nível de evidência clínica necessário para adoção são dois aspectos distintos. Uma empresa pode obter registro sanitário com um dossiê que satisfaz a ANVISA, mas o produto ainda pode não ter evidências suficientes para convencer um hospital a adotá-lo. Sua resposta deve tratar essas duas dimensões separadamente.


Atividade 3

Comparando abordagens de reabilitação pós-AVE: evidências, limitações e lacunas

Você recebe para análise dois resumos de estudos sobre reabilitação do membro superior após acidente vascular encefálico (AVE), que serão discutidos numa sessão de discussão de artigos científicos com sua turma.

Estudo X — Resumo hipotético

Quarenta e dois pacientes com paresia de membro superior após AVE isquêmico, com tempo de lesão entre 3 e 18 meses, foram randomizados para dois grupos. O grupo intervenção (n = 21) realizou 30 minutos diários de fisioterapia convencional acrescidos de 20 minutos de exercícios em plataforma de realidade virtual com biofeedback visual de movimento, 5 dias por semana, durante 6 semanas. O grupo controle (n = 21) realizou apenas 50 minutos de fisioterapia convencional no mesmo regime. A função do membro superior foi avaliada pela Escala de Fugl-Meyer antes e após a intervenção, com avaliador cego à alocação. O grupo intervenção apresentou melhora significativamente maior na pontuação de Fugl-Meyer (p = 0,03). Os autores concluíram que “a adição de RV à fisioterapia convencional melhora a recuperação motora pós-AVE”.

Estudo Y — Resumo hipotético

Vinte e oito pacientes com paresia de membro superior após AVE foram alocados, sem randomização, para grupos de fisioterapia convencional (n = 14) ou plataforma de realidade virtual autônoma usada em casa, sem supervisão presencial (n = 14). Após 8 semanas, o grupo de RV apresentou maior satisfação com o tratamento (avaliada por questionário não validado) e taxa de adesão numericamente maior, embora a diferença em função motora não tenha atingido significância estatística (p = 0,17). Os autores concluíram que “a realidade virtual é uma alternativa viável e promissora para a reabilitação motora no ambiente domiciliar”.

Com base nos critérios de avaliação de evidências do módulo e no que você estudou sobre reabilitação pós-AVE por realidade virtual, elabore uma análise comparativa dos dois estudos que responda às seguintes questões de forma integrada e dissertativa:

Qual dos dois estudos oferece evidência de maior qualidade e por quê? Quais limitações metodológicas específicas de cada estudo impedem que suas conclusões sejam aceitas sem reservas? Há diferenças importantes na pergunta clínica que cada estudo responde — e, se sim, essas perguntas têm relevância clínica equivalente? Finalmente, identifique a lacuna de evidência mais importante que persiste mesmo após a leitura dos dois estudos e proponha, em termos gerais, o desenho de um terceiro estudo que preenchesse essa lacuna — especificando o tipo de estudo, os grupos de comparação, os desfechos que seriam medidos e o critério que você escolheria para definir quão longo o seguimento deveria ser.

O que se espera de você: Uma análise crítica rigorosa que demonstre capacidade de diferenciar qualidade metodológica de relevância clínica, de identificar o que cada estudo efetivamente demonstra (em contraste com o que seus autores afirmam), e de pensar de forma propositiva sobre como a lacuna identificada poderia ser endereçada por um estudo bem desenhado.